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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ASSIST

ASSIST



O ASSIST – teste de triagem para álcool, tabaco e substâncias (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test) é um questionário de triagem breve para detectar pessoas que usam substâncias psicoativas. Ele foi desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por um grupo internacional de pesquisadores (entre eles a professora Rosali, que leciona aulas na UFPR), sendo um método simples de triagem do uso nocivo ou de risco  de álcool, tabaco e drogas ilícitas. O questionário investiga o uso de:

·          tabaco
·          álcool
·          maconha (cannabis)
·          cocaína
·          anfetaminas
·          sedativos
·          alucinógenos
·          inalantes
·          opiáceos
·          outras drogas

O ASSIST é direcionado principalmente para profissionais de atenção primária à saúde para o uso em suas rotinas de trabalho. Pode ser útil também para outros profissionais que trabalham com pessoas que tenham problemas relacionados ao uso de drogas.
De acordo com a OMS, os profissionais de atenção primária são o primeiro nível de contato que os indivíduos, família e comunidade têm com o sistema de saúde e constitui a primeira parte de um processo de atenção à saúde. A Atenção Primária à Saúde (APS) é formada por profissionais de saúde de diversas formações, como: médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, auxiliares e agentes comunitários de saúde que são treinados e formados para o trabalho em equipe e para responder às necessidades locais de saúde da comunidade.
O ASSIST fornece informações sobre:
·          as substâncias que as pessoas usaram em sua vida;
·          as substâncias que as pessoas usaram nos últimos três meses;
·          problemas relacionados ao uso de substâncias;
·          risco atual ou futuro de problemas;
·          dependência;
·          uso de drogas injetáveis.

O ASSIST pode ajudar a identificar o uso de substâncias como causa de uma doença atual. Isto pode alertar as pessoas que elas podem estar sob o risco de desenvolver problemas relacionados ao seu uso de substâncias no futuro e propicia o início de uma discussão com paciente sobre seu uso atual de drogas. O ASSIST pode ser associado a uma intervenção breve para ajudar usuários de risco a diminuir ou parar seu uso de droga e então evitar os danos conseqüentes deste uso.
A triagem objetiva detectar problemas de saúde ou fatores de risco em estágios iniciais, antes que eles causem doenças graves ou outros problemas. A OMS identificou alguns critérios para decidir quais problemas são adequados para a triagem (veja no Quadro 1 o resumo destes princípios).


Quadro 1: Critérios para triagem
·          A condição é um problema que afeta significativamente a saúde e bem-estar de indivíduos ou da comunidade.
·          Existem tratamentos aceitáveis ou intervenções disponíveis para pacientes que apresentem escores positivos.
·          Identificação e Intervenção precoce leva a resultados melhores do que quando tratados em estágios posteriores.
·          Existe um teste de triagem satisfatório no qual é aceito pelos pacientes.
·          O teste de triagem  deve ser disponível a custos razoáveis.

 
O ASSIST conta com um “quiz” que ajuda o profissional, que esta entrevistando o paciente, a orientá-lo quanto ao uso dessas substâncias, de acordo com a pontuação que o entrevistado atingir.





Texto por MAURICIO ARASE - Equipe Viver não é uma droga






Como evitar o consumo excessivo de drogas em festas e demais eventos sociais?

      Ultimamente muito se discute sobre o abuso no uso de drogas lícitas e ilícitas. No entanto, devido à falta de ações preventivas efetivas direcionadas ao público alvo, à ausência de conscientização do jovem sobre as prováveis conseqüências ou à influência do ciclo social, o consumo de drogas está crescendo cada vez mais, principalmente na adolescência.
       Usar drogas, significa em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil resistir ao prazer, pois ele norteia os desejos e muitas atitudes dos seres vivos. A droga provoca um prazer ilusório e efêmero, que engana o organismo, o qual passa a desejá-lo sempre mais, ou até mesmo a tornar-se dependente dele. Mas o prazer provocado pela droga não é bom, porque ele é prejudicial à saúde e influencia negativamente a qualidade de vida das pessoas. É de suma importância que as campanhas preventivas mostrem a diferença que há entre o que é realmente bom e o que é apenas gostoso.



        Para que uma proposta de prevenção possa ser bem sucedida, encontrar receptividade na população-alvo e surtir efeitos concretos, é fundamental que as ações sejam orientadas por idéias construtivas, considerando as necessidades e características biopsicossociais do homem. É necessário refletir sobre os motivos os quais fazem as pessoas consumirem drogas e tentar combatê-los, visando a educação em prol da formação do sujeito e da sua inserção social a partir da promoção da qualidade e valorização da vida.
        Os jovens buscam prazer de diversas formas, dentre elas, está o convívio com um grupo social relacionado com as suas crenças pessoais. Um momento no qual os jovens interagem entre si é através de festas, “raves”, reuniões com amigos - eventos socias de uma forma geral. Mas também são nesses eventos que ocorre o maior consumo de drogas devido tanto a ampla disponibilidade dessas drogas e pouca fiscalização como também a própria necessidade do jovem de se afirmar perante a sociedade e até mesmo de encontrar maneiras de fugir de seus problemas.



       É necessário oferecer alternativa de entretenimento seguro para os jovens, além de combater efetivamente o consumo de drogas lícitas, como o álcool, nessas festas, pois o uso de drogas normalmente está associado ao consumo de álcool, o qual normalmente é liberado - mesmo que ilegalmente- para praticamente todas as faixas etárias.
           Além disso, é necessário promover programas de prevenção destinados aos jovens, os quais podem ser relativos a informações sobre drogas, desenvolvidas através de cursos, seminários, material didático etc., visando informações objetivas e científicas sobre as drogas, seus efeitos e conseqüências. Mas também podem ser relacionadas à saúde, atuando pedagogicamente, transmitindo conhecimentos, criando atitudes, discutindo valores, com a finalidade de estabelecer comportamentos, hábitos e estilo de vida saudáveis.



        O jovem está freqüentemente em contato com usuários e locais nos quais as drogas estão disponíveis, no entanto, é interessante colocar o jovem em contato com pessoas que adoeceram devido a drogas, fazendo-o ver o que as drogas podem causar, quais podem ser as conseqüências de seu divertimento, como é difícil desvincular-se da droga a partir do momento em que as pessoas tornam-se viciadas. Concomitantemente é interessante discutir sobre o potencial de abuso de cada droga a fim de desestimular o jovem a experimentar as drogas.
         Apesar de ser embasada no medo, essa prevenção é impactante pois faz o jovem refletir sobre as conseqüências de sua diversão e o coloca em contato direto com a realidade de pessoas que tornaram-se dependentes. Dessa forma, se associada com outros programas de prevenção, os quais dão embasamento científico à campanha e visem a educação do jovem, essa é uma maneira eficaz de conscientizar os jovens sobre as conseqüências do abuso no consumo de drogas tanto lícitas quanto ilícitas.


Texto por ALAIS DAIANE FADINI KLEINFELDER - Equipe Viver não é uma droga



Créditos das imagens:







OS AMIGOS DE ROBSON

                                                 

             Não internei o garoto. Era arriscado demais tê-lo como inimigo. Talvez seus pais esperassem de mim uma atitude mais incisiva e rigorosa, mas eu já era suficientemente experimentado para não cair nessa cilada.
             Ele tinha 15 anos, mas aparentava mais; trazido pelo pai e pela mãe, o primeiro xingando-o e enfurecido por ter de ocupar-se, naquela manhã de sexta-feira, com o filho problemático, ausentando-se de inúmeros compromissos no trabalho; e a segunda chorando, com cara de sofredora, perguntando-se por que Robson era tão diferente de Ana Lúcia e Carlos, irmãos dele.
             Tal reboliço começou com um cachimbo de Crack achado num par de meias do garoto, confirmando as suspeitas da mãe, que há alguns meses observava o comportamento estranho do filho. Nosso anti-herói estava deixando um rastro; provavelmente um pedido de ajuda, urgente, que quem sabe pudesse socorrê-lo.
             O pai, inteirado do seu papel de disciplinador e provedor do lar, ameaçava expulsá-lo de casa, transmitido a responsabilidade à sociedade (era um blefe?). A mãe, Célia, estava tão ocupada em demonstrar seu sofrimento ao mudo e o quanto tinha pena de si mesma que, por súbito, quase se esquecia da dependência de filho.
             Tão cotidiana era a situação para mim, que pensei: “Oh meu Deus, lá vamos nós de novo”.
             E como não bastasse, o meu mais novo paciente estava sob juramento de morte. Onde ele estudava, um colégio das redondezas, havia gangues rivais. Uma da quais já havia lhe acolhido. E outra que dele só queria o sangue frio e fétido.
             “Psiquiatra é pra louco, eu não preciso disso; ninguém vai me internar!”-- bradava Robson. Estava se achando um galo, inclinando as cristas e ciscando o terreno, e a mim um novíssimo inimigo a ser derrotado.
             Confabulava que seus pais queriam deixá-lo ali. E queriam mesmo! “Tome conta desse traste pra nós!”-- os olhos deles me falavam.
             E você cara leitora o que faria, interná-lo-ia? Rotulando o garoto de “o problema, o drogado da família”, destruindo a única chance de ser seu aliado?


             Eu, como todo médico, fiz minha escolha. Se eu errasse, ele morreria, pois talvez uma clínica fosse o único lugar seguro naquele momento para ele.
             O caso da família de Célia escancarava uma questão muito clara: lidar com e tratar de dependentes químicos é andar numa corda bamba, onde um leve escorregão pode custar muito.
             Ainda mais quanto se percebe interpretações inversamente opostas dos mais variados extratos da sociedade acerca do tema. Uns os canonizando, subtraindo deles toda a responsabilidade. Outros, e até na própria literatura médica, consideram-nos “viciados”, pessoa fracas, sem compromisso, sem força própria; auferindo-lhes a exclusividade de se libertar de sua doença (imagine alguém se curar de câncer, HIV). Ou seja, a responsabilidade recai toda sobre o indivíduo e a responsabilidade é toda dele. Porque o “Estado não tem nada a ver com isso”, financiar clinicas, investir na Saúde não é obrigação do Estado (não é mesmo, caro leitor)¹. Sendo a sociedade um relógio, o balançar do pêndulo deixa o dependente mais e mais perdido, e nesse caso o aproxima da morte.
             Felizmente Robson voltou na outra semana. E então pude conhecer mais a respeito da vida daquela família.
             Por ser o terceiro de três irmãos, foi delegado ao primogênito e à segundogênita a alfabetização do menino e outros cuidados, que a priori deveriam ser dados pela mãe, a qual se imaginava muito cansada para educar mais um pimpolho, aliás, não planejado, temporão; o pai também se fez ausente, porque “tinha responsabilidades maiores” no trabalho.
              Neste momento é preciso questionar se o pai é unicamente responsável por ausentar-se tanto; porque, afinal, se ele não comparecer ao trabalho será demitido, uma vez que há um “exército de trabalhadores” à espera de um vacilo seu. Se ele não se submeter aos horários e a necessidade da produção será sumariamente substituído por alguém mais produtivo. E ele não pode admitir isso, porque ele é quem compra os alimentos, as roupas, o transporte, a água, a luz, os remédios. Seria injusto e irresponsável desconsiderar o âmbito social nessa relação familiar.
              Neste contexto o guri reprovou a segunda série do primeiro grau. E se não fosse o incrível esforço da irmã mais velha nunca teria entendido a diferença entre o “m” e “n” e sua alfabetização nunca se completaria.
              Brigava constantemente com os professores, talvez por ter dificuldade no aprendizado, e com os colegas de classe. Sua mãe e seu pai, Ivo, semanalmente eram chamados à diretoria. Ela desesperada, caindo no choro e ele ameaçando-o, quando ia.
              Seus pais consideravam tudo isso “uma fase” - vai passar, diziam. Mas essa fase estava construindo nele uma personalidade explosiva a qual o levou a amigos igualmente explosivos (deveras explosivos).
              A escola onde as peripécias se desenvolviam e se concretizavam era o Q. G. dessa turminha “polvorosa”. Contudo a coordenação pedagógica, mimetizando a persona do Estado, se considerava inapetente e irresponsável. “Educação vem de casa”, dizia. Transferindo aos progenitores a responsabilidade que tem de ser compartilhada pelo Estado².
             Para ser aceito nessa micro sociedade, não por menos, tinha que usar roupas parecidas, falar as mesmas gírias e cometer as mesmas barbáries. Assim sentia-se acolhido e detinha a atenção que outrora dos pais nunca recebera. Logo começou a brigar com inimigos de seus amigos, participando de confusões maiores. Chegando a ser apreendido. No começo essas más companhias o fizeram experimentar álcool, cigarro.
              Mesmo assim Ivo nunca cogitou o uso de outras drogas por Rob (como era carinhosamente chamado), ou pelo menos fingiu não cogitar. Até o dia que encontrou aquele cachimbo, que segundo o garoto, era usado para consumir o “pintilho” (ou mesclado), uma poderosa combinação de maconha com crack.
              Foi o que eu conclui após conversar com ambos (mãe e filho), separadamente. E aí leitor, dá para perceber o nó de cobra? Os culpados, inocentes, causas, resultados, corresponsáveis?
              Nessa paisagem tentava iniciar um tratamento, delicado e instável, principalmente nos primeiros encontros, por isso não o internei tão logo ele veio a mim (embora noutros casos o tivesse feito).
              Das primeiras sessões ele participou, não tardou, no entanto, a faltar. Senti-me com as mãos atadas, no ápice da impotência profissional. A sorte estava lançada.
              Não tardou para que tivesse notícias dele. Sua mãe aos prantos me procurou semanas depois, informando-me o grave estado de saúde de Rob. Internado numa das UTI do Hospital de Clínicas, Robson agoniava as consequências de uma overdose.
              Então fui visitá-lo no outro dia; estava inconsciente e muito pálido. Era a oportunidade que tanto precisava para tomar as rédeas da situação.


              Durante as três semanas que ficou internado, eu e ele estabelecemos relações afetivas mais intensas. Utilizando o tempo extra consultório eu me aproximei mais dele, coisa que jamais teria conseguido em uma entrevista breve, porque laços afetivos estáveis entre médico e paciente (principalmente dependentes) precisam de tempo para se concretizar, uma vez que o paciente vai se evadir das consultas se em mim não encontrar um amigo em quem possa confiar.
              Dessa forma sua temporária fragilidade me abriu uma brecha naquele coração pedroso e calejado. Assim demonstrei-lhe, realmente, quem são seus verdadeiros amigos...Nesse meio tempo pude orientar Ivo e Célia, tentando ensinar-lhes que quando há um dependente químico em casa, a família, na medida do possível, deve se adequar a essa nova (ou nem tão nova) condição. Os pais devem ser unha e carne com o filho na deplorável situação.
              Após dois meses de abstinência ele foi liberado do CAPS (centro de apoio pisco social) onde era tratado.   Disseram-me que o limitadíssimo número de vagas e a urgência de outros casos assim o quiseram. Lamentei. Hoje, no exato momento em que você lê isso, ele se entorpece. Afinal, caro leitor, qual é a solução?


1) "Art. 196 - A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação."
2) ”Art.227-É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão”.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.



Esta é uma estória fictícia certamente real.

Fins terapêuticos da maconha

Um pouco de história...

         As primeiras evidências da inalação de cannabis são datadas do terceiro milênio a.C, foram encontradas  sementes em um sítio, onde hoje é a Romênia. Os mais famosos usuários de maconha daquele tempo eram os hindus da Índia e do Nepal.
         A Cannabis é indicada para tratar e prevenir náuseas e vômitos, para tratamento de glaucoma, bem como um analgésico geral. Estudos individuais também foram realizados indicando a maconha para um tratamento com a esclerose. Extratos de cannabis também foram criados e vendidos como medicamentos prescritos principalmente para o tratamento da dor e náusea.

 

           Como o uso terapêutico é visto em alguns países:

        Brasil - médicos discutiram os efeitos da maconha no cérebro relacionada à saúde, mas evitaram o debate sobre a legalização;
        Itália - pacientes que precisam para fins terapêuticos é permitido plantar a droga para consumo próprio;
        Alemanha - a nabilona — derivado sintético do THC, princípio ativo da maconha — pode ser importado para prescrição médica;
       Holanda - Até agosto de 1997, era permitido aos médicos (de forma não oficial) prescrever maconha para os pacientes. Depois dessa data, a indicação terapêutica foi vetada, embora a droga esteja disponível nos “coffee shops” do país;
        Chile - continua proscrita e satanizada como ante-sala de drogas mais pesadas, enquanto alguns poucos cientistas e políticos defendem que seja autorizado seu uso médico;
       Colômbia - a droga foi usada até meados do século XX pelas classes populares para aliviar dores de reumatismo e artrite. Era comum levar aos postos policiais um frasco com álcool para que acrescentassem maconha apreendida e, assim, fabricar um emplasto medicinal. Depois da despenalização do uso de doses pessoais, estendeu-se o costume de fumar maconha com fins analgésicos;
      Canadá - é o único país americano onde está sendo despenalizado o consumo e autorizado o uso terapêutico;
       Peru - a proibição da maconha não distingue entre seu uso “recreativo” ou terapêutico;
       Venezuela - Não se recebe solicitações para usar maconha com fins terapêuticos;
       Espanha - Dois programas-piloto no Hospital da cidade de Barcelona, promovem o uso terapêutico. Dentro de um deles, foi desenvolvido o remédio Sativex, que tem como objetivo amenizar a dor e os espasmos sofridos por doentes de câncer, esclerose, anorexia ou AIDS;
       EUA - Uso da terapia fumada da maconha é aceito na Califórnia, mesmo sem uma regulamentação clara. “Isso se outros medicamentos não tiverem efeito”, explica. Uma lei estadual da Califórnia de 1996 eliminou punições para as pessoas que plantam pequenas quantidades da planta para uso medicinal, sob supervisão de um médico. No mesmo ano, o estado do Arizona aprovou uma lei permitindo aos médicos indicar como tratamento;




             Curiosidades: 
  
          Em 2009, um americano entrou para o Guiness Book como a pessoa que mais fumou maconha "legal" no mundo. Irvin Rosenfeld possui um câncer raro nos ossos e recebe a maconha gratuitamente do governo americano como tratamento. O paciente afirma já ter fumado cerca de 115 mil cigarros de cannabis medicinal, uma média de 10 a 12 por dia, desde 1981, tendo sido o segundo paciente a se beneficiar da lei que autoriza o uso de maconha para fins terapêuticos nos Estados Unidos.            
          Amaia O., 41 anos , relata que há oito anos sofre da doença de Crohn - afecção crônica que afeta a região que une os intestinos - e que recorreu à maconha porque os comprimidos receitados por seu médico não aliviavam as fortes dores que sentia. "Comecei a fumar porque não conseguia engolir nada", conta Amaia, que decidiu buscar por conta própria novas formas de aliviar seus sintomas. Foi assim que ela conheceu a Pannagh, uma das cinco associações bascas de usuários de maconha que trabalham atualmente oferecendo conselhos sobre a utilização da planta.

               Conclusão 

          Os pacientes que poderiam ser beneficiados com o uso dessa droga seriam aqueles em uso de quimioterapia, em pós-operatório, com trauma raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento da medula), com neuropatia periférica, em fase pós-infarto cerebral, com AIDS, ou com qualquer outra condição clínica associada a um quadro importante de dor crônica. Também na quimioterapia induzindo náuseas e vômitos, quando a desnutrição para a estimulação do apetite, desordens motoras na doença de Parkinson, glaucoma e epilepsia.
         A maconha é, desde a antigüidade, uma substância polêmica, já que seu princípio ativo, o THC (tetrahidrocanabinol), possui propriedades médicas comprovadas. Também é considerada uma droga com efeitos muito prejudiciais quando consumida sem fins terapêuticos.
        Embora já se tenha conhecimento das vantagens medicinais da maconha, a possibilidade de ela chegar às prateleiras das farmácias está longe. Os especialistas admitem a necessidade de controle para evitar que uma possível prescrição médica se torne um dor de cabeça para a saúde pública no futuro.

  

Texto escrito por PRISCILA VANESSA FRANCISCO - Equipe Viver não é uma droga





Fontes das imagens:
http://www.bahianoticias.com.br/noticias/2010/5/17/noticia.html
http://psicoterapiabrasil.blogspot.com/2010_05_16_archive.html
http://brigadasonora.wordpress.com/2009/12/07/maconha-e-usada-como-terapia-medicinal-no-norte-de-israel

Legalizar ou não?

             Sendo esse um blog sobre tão influente e destacada droga que é a maconha, a discussão sobre sua legalização, já recorrente em ambientes acadêmicos (e isso inclui desde a sala de aula até o barzinho da esquina), não poderia ser deixada de lado, por mais controverso e espinhoso que o tema pareça ser.







             Desde a antiguidade que a Cannabis vem sendo descrita como portadora de propriedades terapêuticas, tem aparições como tal em papiros egípcios, documentos assírios e até mesmo na Odisséia, de Homero. Sua proibição se deu no início do século XX, principalmente por questões sociais e de origem religiosa (obviamente que envolvidas com interesses econômicos), que demonizaram a droga, seus efeitos e, principalmente, seus usuários. Desde então, na maioria das legislações, inclusive a brasileira, maconha é proibida.



Odisséia

              Por quê? Diz-se que é dever do governo evitar que seus cidadãos causem danos a si mesmos, como a droga possui muitos efeitos adversos (físicos, emocionais e sociais) ela é proibida. Um fator levado em consideração também é o potencial de abuso da mesma, capaz de gerar dependência, comumente conhecida como vício. Basicamente é isso, maconha é considerada um perigo à saúde da população, portanto não é legalizada.





              Há o que se discutir sobre tal imposição. Álcool e tabaco se enquadram na classe de substâncias que possibilitam às pessoas infringir dano à elas mesmas e possuem, inclusive, potencial de abuso igual e até maior que o da maconha. Outro ponto importante é o tocante ao narcotráfico, que seria prejudicado e mais facilmente desmantelado com a legalização, pelo menos em tese. O atual combate repressivo das drogas não tem surtido efeito, então essa é uma alternativa passível de ponderação.





              Toda questão possui pontos negativos e positivos, em cima dos quais muita discussão deve ser feita. O assunto é muito mais profundo do que o abordado nesse texto, que apenas raspa na superfície de tão complicada questão. O que é certo e o que é errado? Não cabe a mim discutir, apenas apresento os fatos.





Texto por MARCOS M. NEVES FILHO - Equipe viver não é uma droga


Fontes das imagens:


Gírias Utilizadas por Usuários de Maconha

"pipou uma vez, está fisgado"
(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba, 6ª edição, Editora Gente)





Queimar um – fumar.
Mocosar – esconder.
Caretaço - livre de qualquer efeito da maconha.
Sussu – sossego.
Rolê – volta.
Pifão – bebedeira.
Rolar - preparar um cigarro.
Cabeça feita - fuma antes de ir a um lugar.
Chapado - sob o efeito da maconha.
Bad trip - viagem ruim, com sofrimentos.
Nóia – preocupação.
Marofa - fumaça da maconha.
Tapas – tragadas.
Palas - sinais característicos das drogas.
Larica - fome química pós maconha.
Matar a lara - matar a fome química.
Maricas - cachimbos artesanais.
Pontas - parte final da maconha não fumada.
Cemitério de pontas - caixinha ou recipientes plásticos usados para guardar as pontas.
Dichavar o fumo - soltar a maconha compactada em tijolos ou seus pedaços e separar as partes que lhe dão gosto ruim.
Sujeira - situação perigosa.
Dançou - usuário que foi flagrado fumando.
Mocós - esconderijos de droga.
Pilador - socador para pressionar a maconha já enrolada dentro da seda.






Créditos das imagens:

http://www.jornalnh.com.br/site/blogs/blog,canal-19,ed-327,ct-968,cd-213604,FALOW+BROTHER.htm


http://www.metroactive.com/papers/metro/09.08.04/covers-0437.html


Texto por CLAUDIO SERGIO MARTINS JUNIOR - Equipe Viver não é uma droga

Informações sobre instituições de apoio, programas governamentais

          Muitos jovens fazem uso regular de maconha, e se importam apenas com o bem-estar imediato causado pela droga. E relevam os problemas que a droga está causando, ou que vai levar a causar caso o uso evolua para a dependência. E pode evoluir a qualquer momento.                                   Você deve, portanto, tentar parar o quanto antes com o uso da maconha. Venha a ser legalizada ou não, é uma droga, e faz mal. Muitos usuários tentam largar a droga, mas não conseguem fazer isso sozinhos e têm recaídas. Recaídas acontecem, o importante é persistir, e saber que você não está sozinho. Você tem a ajuda de instituições de apoio e programas governamentais.


          Um bom modo de começar é ligando para o VIVA VOZ - 0800 510 0015. Tire suas dúvidas sobre o assunto com pessoas que entendem disso. É totalmente gratuito e você pode falar sem medo, pois não vai ser identificado.




          Freqüentar comunidades terapêuticas também é uma boa opção – lá, usuários de drogas que querem deixar o vício são sempre bem-vindos. Você poderá compartilhar seus problemas com pessoas que também querem mudar, ouvir conselhos. No Paraná há muitas dessas comunidades, como o CRAVI- Casa de Recuperação Água da Vida, em Curitiba; e vários outros programas associados à FEBRACT (federação brasileira de comunidades terapêuticas), como o Lar Dom Bosco Comunidade Terapêutica. Esse método adotado por estas instituições enfrenta os motivos da drogadição, sendo considerados por muitos como melhor método ao de internamento para desintoxicação.




          Os programas do governo também priorizam o primeiro tipo de método. A política em vigor é a dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPs) , que rejeitam as práticas de hospitalização tradicionais: os usuários possuem atendimento personalizado, com psiquiatras e terapeutas ocupacionais, e ficam nos centros durante a manhã e a tarde. Em Curitiba, a Secretaria Municipal Anti-drogas também está investindo em comunidades terapêuticas. Procura-se melhorar as condições dessas comunidades e aumentar o número de CAPs, pois ainda há muitas cidades sem esses centros no Brasil.



          Lembre-se que essas equipes oferecem apoio e ajuda, mas que a decisão de largar a droga tem que partir de você. Nunca foi fácil deixar o mundo das drogas, mas tudo isto está pronto para ajudá-lo.





Texto por BRENO SATY KLIEMANN - Equipe Viver não é uma droga

Créditos das imagens:

http://www.antidrogas.com.br/mostraartigo.php?c=1743